Sumário:
As Doenças Cardiovasculares (DCV) continuam sendo a principal causa de mortalidade no Brasil. Diante desse cenário, a Atenção Primária à Saúde — representada pelas Unidades Básicas de Saúde (UBS) — desempenha um papel crucial no diagnóstico precoce e no rastreamento de agravos como hipertensão, arritmias e cardiopatias isquêmicas.
No entanto, dados do Censo das UBS, realizado pelo Ministério da Saúde, ligaram um alerta: a maioria dos postos de saúde do país não possui estrutura para realizar exames diagnósticos essenciais. A disparidade entre a demanda da população e a capacidade revela um gargalo quando o assunto é eletrocardiogramas no Brasil.
O Raio-X do Censo das UBS: infraestrutura comprometida e falta de exames básicos
O levantamento nacional traçou um diagnóstico detalhado das condições físicas e operacionais da Atenção Primária no Brasil. Com isso, ficaram expostos desafios estruturais crônicos que afetam diretamente o atendimento ao cidadão.
Os números da atenção primária no Brasil ilustram o problema:
- Reformas urgentes: Cerca de 60% das Unidades Básicas de Saúde brasileiras necessitam de reformas ou intervenções estruturais significativas para operar de forma adequada.
- Apenas 9% realizam ECG: Menos de uma a cada dez unidades de saúde no Brasil tem capacidade de oferecer o exame de Eletrocardiograma (ECG) aos seus usuários.
A baixa oferta de exames gráficos na atenção primária gera um efeito cascata em toda a rede do Sistema Único de Saúde (SUS):
- Atraso no diagnóstico: Pacientes com sintomas incipientes enfrentam longas filas de espera para agendar um ECG em centros especializados.
- Sobrecarga de UPAs e hospitais: A falta de diagnóstico básico na UBS faz com que pacientes recorram às Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) para realizar exames simples, superlotando a rede de urgência.
- Perda da janela terapêutica: Condições graves, como o Infarto Agudo do Miocárdio (IAM), deixam de ser identificadas precocemente, aumentando a mortalidade e os custos com internações em Unidades de Terapia Intensiva (UTI).
Por que a maioria das UBS não consegue oferecer o eletrocardiograma?
Oferecer um exame de eletrocardiograma no Brasil com a estrutura tradicional envolve desafios que vão além da aquisição do equipamento. Segundo apontou o Censo das UBS, três gargalos principais travam a expansão do serviço:
1. Falta de infraestrutura física e rede elétrica
Grande parte das unidades de saúde brasileiras não dispõe de espaço físico adequado para criar salas de exames isoladas. Além disso, sofrem com instabilidade de energia e falta de cabeamento estruturado.
2. Escassez de médicos cardiologistas locais
A fixação de médicos especialistas é um dos maiores desafios do SUS, especialmente em municípios do interior, periferias e regiões de difícil acesso. Manter um cardiologista presencial em cada UBS para laudagem de exames é inviável financeira e operacionalmente.
3. Custo elevado de manutenção e ociosidade
Comprar eletrocardiógrafos convencionais gera altos custos de manutenção, insumos e calibração. Sem uma escala contínua de exames, o investimento se torna ineficiente para o orçamento municipal.
Telecardiologia: como romper a barreira técnica e física no SUS
Não é possível resolver todos os problemas relatados no Censos das UBS com uma única solução. Contudo, para o caso dos eletrocardiogramas no Brasil, a telecardiologia tem se tornado uma resposta eficiente, acessível e sustentável para a escassez de infraestrutura física e de especialistas.
A dinâmica operacional da telecardiologia conecta a ponta da assistência à medicina especializada:
- Execução local: O exame de ECG é realizado na própria UBS por um enfermeiro ou técnico de enfermagem capacitado.
- Envio para a nuvem: O sinal digital do traçado eletrocardiográfico é transmitido instantaneamente para uma plataforma em nuvem segura.
- Laudo remoto: Um médico cardiologista de plantão na central de telessaúde analisa o traçado, emite e assina digitalmente o laudo.
- Retorno rápido: O laudo de ECG retorna à UBS em poucos minutos (para casos prioritários) ou em poucas horas (para exames eletivos).
No caso da Telepacs, é possível contratar a telecardiologia na modalidade de comodato, na qual a empresa fornece o aparelho para a clínica ou hospital. O custo é diluído no serviço de laudos, mediante acordo de volumetria mínima.
Modernize a saúde pública com telecardiologia
A realidade revelada pelo Censo das UBS exige respostas rápidas e liga um alerta, não apenas para a gestão pública, mas para todos que trabalham na gestão em saúde. Transformar a cobertura de exames diagnósticos na atenção primária não requer a construção de novos complexos hospitalares, mas sim a integração de tecnologia acessível aos pontos de atendimento já existentes.
A adoção do laudo a distância em cardiologia elimina distâncias geográficas, reduz a sobrecarga da rede de urgência e garante que o cidadão receba um diagnóstico preciso no momento em que mais precisa.
Entre os diversos problemas que a saúde pública enfrenta, a modernização, através da telecardiologia, é a aliada ideal para vencer alguns dos desafios para os próximos anos.
Perguntas Frequentes

Gustavo Pedreira
Sócio-executivo
Executivo de Health Tech, economista e doutorando em Computação focado em estratégia, finanças e dados para crescimento sustentável.

























